Em celebração ao Mês do Economista, o Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF), em parceria com a Universidade Católica de Brasília (UCB), promoveu no dia 25 de agosto de 2025, no Auditório do Bloco K, a Aula Magna “Teoria do Crescimento Pós-Keynesiana: desafios e controvérsias”, com o renomado economista Peter Skott, referência internacional em macroeconomia pós-keynesiana.
O evento contou com a presença da presidenta do Corecon-DF, Luciana Acioly, da coordenadora do curso de Ciências Econômicas da UCB, Cynthia Vieira, além de professores, estudantes e profissionais da área econômica.
Lançamento de livro e participação especial
Durante a programação, foi lançado o livro “Macroeconomia Monetária”, de autoria do professor da UnB José Luis Oreiro, que também participou do debate. Em sua fala, Oreiro destacou os limites da macroeconomia convencional, baseada em modelos de economias de “troca real”, nos quais a moeda é considerada neutra. Ressaltou que, em uma economia monetária de produção – como defendia Keynes – a moeda é essencial e pode gerar desequilíbrios duradouros no emprego e no investimento, dado o papel da preferência pela liquidez e da incerteza nas decisões dos agentes econômicos.
Segundo Oreiro, o livro busca sistematizar a contribuição de Keynes e dos autores pós-keynesianos, como Hyman Minsky, Joan Robinson e Nicholas Kaldor, ao mesmo tempo em que aponta lacunas que ainda precisam ser exploradas pelas novas gerações de pesquisadores.
Crítica à ortodoxia macroeconômica
Em sua conferência, o professor Peter Skott apresentou uma análise crítica da macroeconomia ortodoxa dominante desde os anos 1980. Para ele, não há respaldo teórico ou empírico consistente para pilares como a equação de Euler para o consumo agregado, a curva de Phillips nova-keynesiana ou a hipótese de expectativas racionais. Além disso, destacou a limitação do uso do agente representativo como instrumento de avaliação de bem-estar.
Segundo Skott, esse arcabouço teórico constitui um “programa de pesquisa degenerado”, por desconsiderar fatores comportamentais, diferenças institucionais e estruturais entre países, além de ignorar dinâmicas endógenas de instabilidade e flutuações econômicas.
“Precisamos de uma teoria macroeconômica que seja simultaneamente micro e macro fundamentada, empiricamente ancorada e que leve em conta as evidências comportamentais, os problemas de agregação, os limites institucionais e estruturais, bem como as interações entre agentes e mercados. Essa é a proposta da macroeconomia estruturalista e comportamental, que venho desenvolvendo em meus estudos recentes”, afirmou Skott, autor do livro Structuralist and Behavioral Macroeconomics (2023).
Relevância do evento
A Aula Magna marcou um momento importante de reflexão e diálogo acadêmico, reforçando a parceria entre o Corecon-DF e a UCB e ampliando o espaço de debate sobre os rumos da teoria e da política econômica contemporânea.
