No último sábado, 07 de março, o Grupo de Conjuntura do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (CORECON-DF) realizou mais uma reunião de análise econômica, desta vez dedicada ao tema “Instabilidade no Oriente Médio e seus Efeitos na Economia Internacional e Brasileira”. O encontro ocorreu no Espaço Memórias e Futuro da Economia Brasileira, na sede do Conselho Federal de Economia, em Brasília, reunindo economistas, especialistas em relações internacionais, estudantes e profissionais interessados em compreender os desdobramentos geopolíticos recentes e seus reflexos sobre a economia mundial.
A reunião foi coordenada pelo economista José Luiz Pagnussat, que conduziu os debates e apresentou dados e elementos de contextualização para subsidiar as discussões entre os painelistas e o público.
Geopolítica e segurança internacional no centro da análise
Um dos destaques do encontro foi a exposição do General Ivan Ferreira Neiva Filho, que apresentou uma análise político-militar sobre o cenário internacional. Segundo ele, o sistema internacional atual caracteriza-se por uma elevada complexidade e por múltiplos fatores de instabilidade.
Entre os principais efeitos geopolíticos destacados estão a ampliação da instabilidade regional e global, a polarização e o travamento diplomático, o rearranjo de alianças estratégicas e a pressão sobre temas sensíveis como programas nucleares e sistemas de mísseis. O general também alertou para a erosão de mecanismos tradicionais de governança global.
No campo militar, ele apontou o surgimento de conflitos com múltiplas frentes e domínios de operação, o aumento de ameaças assimétricas, cadeias de retaliação e riscos sobre rotas marítimas estratégicas e ativos críticos. Outro ponto relevante foi o avanço tecnológico no campo militar, incluindo o uso crescente de inteligência artificial em operações de guerra.
Além disso, destacou-se a dimensão informacional dos conflitos, marcada por guerra de narrativas, disseminação de desinformação, ataques cibernéticos e aumento da polarização política e social em diversos países.
Para o Brasil, o cenário exige atenção especial em áreas como cibersegurança, proteção de infraestruturas críticas, monitoramento de brasileiros no exterior e avaliação de impactos sobre comércio e logística internacional, além de possíveis pressões por aumento de gastos em defesa e busca por maior autonomia tecnológica.
Impactos sobre comércio internacional e logística
O professor Antônio Jorge Ramalho da Rocha, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), analisou os impactos do conflito sobre o comércio global e seus possíveis reflexos para o Brasil.
Segundo o especialista, embora o comércio brasileiro com o Irã seja relativamente pequeno, o país mantém relações comerciais relevantes com diversas nações árabes. Nesse contexto, um dos principais pontos de atenção é a segurança das rotas marítimas, especialmente no Estreito de Ormuz, passagem estratégica no Golfo Pérsico por onde circula uma parcela significativa do comércio internacional de energia e mercadorias.
O professor também destacou aspectos do atual conflito envolvendo Irã e Estados Unidos, chamando atenção para o uso crescente de drones de baixo custo em estratégias militares. Enquanto drones de ataque iranianos podem custar cerca de US$ 35 mil, sistemas de defesa utilizados para interceptá-los podem chegar a US$ 4 milhões por disparo, criando um forte desequilíbrio econômico nas operações militares. Estimativas indicam que os custos diários do conflito para os Estados Unidos podem ultrapassar US$ 890 milhões por dia, evidenciando o impacto financeiro e logístico da escalada militar.
Perspectivas para o Brasil e o papel dos BRICS
Encerrando as exposições, a economista Luciana Acioly da Silva, pesquisadora do Ipea e presidenta do CORECON-DF, contextualizou os debates sob a perspectiva da economia internacional e do posicionamento estratégico do Brasil.
A economista destacou que o cenário atual também se relaciona com as transformações no sistema internacional, incluindo a recente expansão do grupo BRICS, que passou a incorporar novos membros como Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia, além dos membros originais: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Segundo Acioly, essa expansão amplia o peso geopolítico do bloco, mas também traz desafios relacionados à heterogeneidade de interesses entre os países, inclusive entre nações com rivalidades regionais históricas. Esse contexto pode influenciar a dinâmica de cooperação internacional e gerar impactos nas estratégias econômicas e diplomáticas do Brasil.
Espaço de reflexão sobre economia e cenário internacional
A reunião reforçou o papel do Grupo de Conjuntura do CORECON-DF como um espaço permanente de reflexão e debate qualificado sobre temas econômicos relevantes, especialmente aqueles que conectam economia, geopolítica e desenvolvimento.
A iniciativa busca contribuir para o aprimoramento da análise econômica no país e para o diálogo entre especialistas, formuladores de políticas públicas e a sociedade.
Apresentações:
Análise da Conjuntura Econômica 07 de março 2026 (Guerra do Irã)
Instabilidade no Oriente Médio e seus Efeitos na
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