No dia 1º de fevereiro de 2025, o Grupo de Conjuntura do Corecon-DF realizou uma reunião para discutir os impactos econômicos das mudanças na geopolítica mundial. O evento contou com apresentações dos economistas José Luiz Pagnussat e Prof. Ricardo Lobato, MSc., que trouxeram uma análise detalhada sobre o atual cenário econômico global e suas repercussões para o Brasil e o mundo.
Políticas Protecionistas e Seus Efeitos Globais
Na primeira apresentação, José Luiz Pagnussat destacou os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump. A recente decisão de aumentar tarifas sobre produtos do Canadá, México e China tem gerado incertezas no comércio global e pode afetar diretamente diversas economias. Especialistas apontam que essas medidas devem enfrentar resistência dentro da própria economia americana, dada a interdependência comercial com os países alvos das tarifas.
Outro ponto abordado foi o desaceleramento econômico global, evidenciado pelo baixo crescimento do PIB em regiões como a Zona do Euro e México, enquanto os Estados Unidos conseguiram manter um crescimento de 2,3% no quarto trimestre de 2024. No Brasil, a alta taxa de juros de política monetária, considerada uma das mais elevadas do mundo, tem sido apontada como um entrave para o desenvolvimento econômico.
Pagnussat também alertou para os impactos no comércio exterior brasileiro. Se em 2018-2020 a guerra comercial entre EUA e China beneficiou o Brasil com o aumento das exportações, agora, com a possibilidade de tarifas americanas sobre produtos brasileiros, os riscos superam as oportunidades. Setores como siderurgia, combustíveis e aviação podem ser os mais afetados.
A Geopolítica e os Novos Desafios Econômicos
Na segunda apresentação, o Prof. Ricardo Lobato trouxe uma perspectiva histórica sobre a evolução da geopolítica econômica, explorando desde o fim da Guerra Fria até a crise financeira de 2008 e seus impactos na economia global.
Entre os principais desafios da atualidade, ele destacou:
Ascensão das potências emergentes, que estão redesenhando a ordem econômica global.
Aceleração da digitalização e da inteligência artificial, transformando mercados e relações de trabalho.
Crescimento do narcotráfico mundial, afetando a estabilidade econômica de diversas regiões.
Aumento dos gastos com defesa, impulsionado por conflitos e tensões geopolíticas.
Desafios à democracia, com o crescimento da extrema-direita em diversas partes do mundo.
Segundo Lobato, o mundo caminha para um cenário multipolar, no qual grandes potências disputam influência e novas regras devem surgir na economia e nas relações internacionais. Ele destacou que os desafios atuais exigem que países em desenvolvimento, como o Brasil, adotem estratégias flexíveis para se posicionar nesse novo contexto global.
A reunião do Grupo de Conjuntura do Corecon-DF evidenciou que as mudanças na geopolítica mundial estão impactando diretamente a economia global. As tarifas impostas pelos EUA e o crescimento das potências emergentes são fatores que influenciam os fluxos de investimentos e comércio internacional. Para o Brasil, o momento exige cautela e planejamento estratégico para mitigar riscos e aproveitar eventuais oportunidades.
Acompanhe o Canal do Youtube Corecon-DF para mais análises sobre a economia e seus desdobramentos.