Joanílio Rodolpho Teixeira
Departamento de Economia
Universidade de Brasília
joanilioteixeira@hotmail.com
Nasci em Ubá, Minas Gerais, nos primeiros anos da década de 1940. Logo mudei, com a minha família, para Juiz de Fora onde dediquei-me aos estudos desde o pré-primário. Na “Manchester Mineira” fiz o curso secundário e médio, especialmente no Instituto Granbery, uma importante instituição educativa. Iniciei lá também a carreira de professor de matemática para o curso científico. Foi na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) que cursei, simultaneamente, a Faculdade de Economia e a de Filosofia. Guardo saudade de colegas e alunos desse período, no qual obtive bolsa de mérito acadêmico. Tive a oportunidade de fazer a leitura de obras literárias, avançar na matemática, me familiarizar com música clássica, assim como jogar xadrez, atividades que continuam sendo minhas paixões. Me graduei no final de 1966. Apesar das inúmeras atividades, me preparei para o exame nacional da pós-graduação em Economia. Devido a participação em movimentos estudantis, tive que responder a dois inquéritos da ditadura. Como argumenta A. Einstein: “One knows so much and comprehends so little”.
Em janeiro de 1967 ingressei na Universidade de São Paulo onde, em dedicação exclusiva, cursando a Pós-Graduação no Instituto de Pesquisas Econômicas (IPE-USP). Parte das aulas e seminários eram em inglês. Eu jamais tinha visto, pessoalmente, um PhD. Fiquei surpreso. No final da década de 1960 e durante a de 1970, os professores Werner Baer e Marc Nerlove tinham significativa influência nas atividades de pós-graduação no Brasil. O primeiro contribuiu para a área de desenvolvimento econômico. O segundo em matemática econômica e econometria. Se bem me recordo, no período, os economistas nacionais mais influentes eram Celso Furtado, Mário Henrique Simonsen, Delfim Netto, Maria da Conceição Tavares e Isaac Kerstenetzky, Ignácio Rangel e Edmar Bacha. Tive o prazer compartilhar ideias com eles.
No início de 1968, após seleção competitiva, fui contratado para lecionar e desenvolver pesquisa no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos-SP. Esta foi uma das etapas mais expressivas de minha inicial jornada acadêmica. Tenho grande lembrança do ITA, uma das mais ilustres instituições da América Latina. Lá, na disciplina de graduação “Elementos de Economia”, introduzi a formalização quantitativa e elementos de economia política, com mais sucesso do que poderia imaginar.
Em 1970, fui o primeiro acadêmico proveniente das ciências humanas e sociais a obter o título de mestre pelo ITA. Meu orientador foi o doutor Andrea Maneschi, com PhD em Oxford, e professor visitante na USP. Título da minha tese: “Uma Aplicação de Programação Linear à Determinação de Trajetórias de Acumulação de Capital: Aplicação ao Caso Brasileiro”. Essa é uma abordagem baseada na programação dinâmica. Nesse
período, troquei correspondência com o professor holandês Jan Tinbergen, colaureado, juntamente com Ragnar Frisch, com o Prémio Nobel de Ciências Econômicas em 1969. .
Então, em São José dos Campos, fui contratado pelo Centro Nacional de Atividades Espaciais (CNAE), hoje Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), como pesquisador e professor, orientando grupo de jovens do mestrado em Análise de Sistemas. No ano acadêmico de 1970-71, fui MPhil researcher na London School of Economics (LSE), Inglaterra. Então desenvolvi pesquisas na área de economia matemática e econometria, com base nos ensinamentos de Michio Morishima, prestigiado economista teórico nascido no Japão. Também participei de seminários da notável Joan Robinson. Fiquei impressionado com suas contribuições desafiando as teorias convencionais e oferecendo perspectivas alternativas. Em setembro de 1971 regressei ao Brasil para, novamente, atuar como professor-pesquisador no INPE e ministrar seminários no ITA.
Após passar um ano no Brasil, retornei à Inglaterra para dar continuidade ao programa de doutoramento em economia na University of Kent at Canterbury. Meu orientador foi o jovem e excelente acadêmico John Craven, formado por Cambridge e no MIT. Ele se destacava como economista e, mais tarde, reitor da Portsmouth University. Minha tese foi defendida, com sucesso, em setembro de 1975, perante o examinador externo, professor J.A.C. Brown, do Merton College e chefe do Departamento de Economia Aplicada da Universidade de Oxford. Foram membros da banca examinadora o professor Charles Kennedy e o Dr. Anthony Thirlwall.
Minha contribuição principal na tese foi a abertura matemática do modelo de Dorfman, Samuelson e Solow (DOSSO), usando participação governamental e economia internacional. Teve como título “Optimization Problem of Capital Accumulation: An Extended DOSSO Model and its Application to Brazil”. Estive atento a problemas do “turnpike” (trajetórias ótimas).
Os três anos acadêmicos (1972-1975) de permanência no programa de doutoramento foram bastante proveitosos. Permitiram participar ativamente de eventos científicos em diversos países da Europa. Recordo minha visita, no final de 1975 e início de 1976, à Índia para melhor conhecer a experiência do planejamento econômico com base no modelo de Mahalanobis. Estive em diversas instituições e constatei que o planejamento em países do terceiro mundo contém inúmeros desafios, difíceis de serem contornados. Como argumenta o filósofo Bertold Brecht: “Do rio que tudo arrasta, se diz violento. Mas não se consideram violentas as margens que o comprimem”.
Regressei ao Brasil como pesquisador e professor associado no INPE, onde permaneci até o início de 1977. Então me desloquei para a capital federal como professor adjunto do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (ECO-UnB). Atendendo indicação do Professor Mário Henrique Simonsen, minhas atividades acadêmicas foram compartilhadas com a Escola de Administração Fazendária (ESAF). Por quase três anos, além de professor titular e gestor do curso de mestrado em Política Fiscal, coordenei importantes seminários. Entre organizações patrocinadoras destacavam a UnB, IPEA, CEPAL e o grupo do eminente professor Raúl Prebisch.
Paralelamente, ao final da década de 70, com o apoio especial de Fernando de Holanda Barbosa e outros companheiros, começamos a implementar o projeto de fundação da Sociedade Brasileira de Econometria (SBE), que se consolidou em 1979. Fui Secretário Executivo (Chairman) por alguns anos. Também fundamos a Revista
Brasileira de Econometria, onde exerci a função de editor. Na sua origem, a SBE era uma instituição que participava do debate entre teorias ortodoxas e heterodoxas, o que lamentavelmente deixou de ocorrer a partir da década sequinte. Segundo N. Kaldor: “Though the ultimate justification of scientific inquire, whether in natural or the social field, is to improve our power over the environment, additions to knowledge are useful even if they do not have any immediate application, so long as they enable one to construct improved “models” that highlight the critical aspects of how things work”.
No início da década de 80, a grande dama da teoria econômica, Professora Joan Robinson, veio a Brasília. Foram magníficos eventos e confraternizações. Ela e seus colaboradores me convidaram para dedicar o ano acadêmico 1981-1982 como Visiting Scholar, na Universidade de Cambridge. Me associei, principalmente, ao Cambridge Group of Economic Policy e ao Cambridge Growth Project, liderado pelo professor Richard Stone, Nobel de Economia em 1984. A permanência na instituição possibilitou concentrar-me em “Crescimento e Distribuição”, tendo como referências teóricas Michal Kalecki, Nicholas Kaldor, Joan Robinson, Luigi Pasinetti, Piero Sraffa e outros notáveis economistas heterodoxos. Nenhum deles obteve o prêmio Nobel de Economia.
Pode-se argumentar, como ocorre com importante personagem da obra Hamlet: há algo podre no reino da referida premiação. A partir de Cambridge, fiz amizade com “celebrated scholars”, incluindo Geoff Harcourt, Mauro Baranzini e Luigi Pasinetti. Este afirma que: “It is knowledge that has to be captured. It is the acquisition of knowledge that eventually makes the wealth of a nation”.
No segundo semestre de 1982 fui Visiting Scholar na Universidade de Harvard. Tal convite se deu via Franklin Fisher, presidente da Econometric Society que, embora pertencente ao Massachusetts Institut of Technology (MIT), passava o período sabático em Harvard, o que possibilitou encontros promissores nas duas instituições. Então, foi estabelecido especial contato com o Professor Evsey Domar, para desenvolver pesquisas sobre teoria do crescimento econômico e distribuição de renda. Ficamos amigos. Ele visitou o Brasil e ministrou seminários na nossa UnB. De acordo com K. Marx: “Toda ciência seria supérflua se a aparência e a essência das coisas se confundissem”.
Retornando ao ECO-UnB, organizei, a partir de 1983, o grupo de “Crescimento e Distribuição”, junto ao Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNPq). Desde aquele ano liderei, por mais de duas décadas, estimulante núcleo de pesquisadores contando com a participação de brasileiros e estrangeiros. Minhas publicações se acumularam no Brasil e no exterior. Em 1984 foi publicado, pela editora ESAF, meu primeiro livro. O título é “Ideologia e Construção de Modelos Econômicos”. Consiste em uma coletânea de trabalhos que transita por Popper, Khun e Lakatos, antes de revisitar os “modelos” de Marx, Keynes, Kalecki e outros heterodoxos. Tive relativo sucesso. Segundo Michal Kalecki, um dos maiores economistas do século XX: “Frequentemente estão sendo criadas teorias que podem levantar problemas de grande interesse, mas que não conduzem a um entendimento do que realmente aconteceu, está acontecendo ou poderia ocorrer”.
Em parte de 1985 estive vinculado, como professor titular visitante, no Instituto Superior de Economia, em Lisboa, Portugal. Em seguida, fui Visiting Scholar na Universidade de Oxford, Inglaterra, a convite do professor James Mirrlees (Nobel em 1996). Foi um período de positivos contatos e visitas institucionais, incluindo o estágio acadêmico no “International Summer Seminars” da University of Economic Science, East
Berlin (GDR). Ampliei meu conhecimento da obra de Rosa Luxemburg. Na União Soviética, especialmente em Moscou e Leningrado, participei de debates sobre o planejamento centralizado.
Em abril de 1986, a convite do professor Albert Fishlow, ministrei um conjunto de seminários no Departamento de Economia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos. Em maio fui professor visitante no Departamento de Economia da Universidade Católica de Milão, Itália, onde consolidei contribuições analíticas à Economia Política, em colaboração, com diversos acadêmicos. Ênfase era em growth, redistribution and structural change.
Nos dois anos seguintes, destaco experiências que muito me marcaram. Uma, o convite formal para colaborar com a elaboração de uma biografia para o livro “Italian Economists of the 20TH Century”. O projeto buscava providenciar: “unique-up-date assessment and appreciation of the work of 12 pioneering economists”. A sponsorship era da Edward Elgar Publishing Inc, e os ensaios escritos por um grupo de “leading international scholars”. O professor Ferdinando Meacci, líder do Departamento de Economia da Universidade de Pádua, era o editor. Felizmente, direcionaram minha contribuição para a vida e atividade acadêmica do Professor Luigi Pasinetti.
Retornando a Brasília, destaco a conferência internacional, realizada em abril de 1997 pelo ECO-UnB, como estímulo para a criação do programa de doutoramento da instituição. Presidi o comité organizador da comissão. O tema era “Moeda, crescimento, distribuição e mudanças estruturais”. Objetivo: Desenvolver intercâmbio produtivo de resultados de pesquisas que reflitam preocupações nas áreas de economia política e política econômica. Contamos com a participação de notáveis conferencistas convidados e com o apoio de: CNPq – GDF – BRB – CEF – CESPE e FAPDF. Fui editor dos anais do evento científico. Este colóquio foi pioneiro de outros que realizamos na França, Irlanda e Áustria.
O livro “Italian Economists of the 20th century” foi publicado em 1998 e recebeu expressiva avaliação acadêmica internacional. Em 25 de março de 1998, tive o prazer de receber uma carta postal de Pasinetti, em que declara: “I should like to express you my deepest thanks for the time and care you have put in the bibliographical sketch you have written. It is at the same time very generous and accurate. Though it had been embarrassing for me to read it, I cannot but admit that your piece is the best biography so far written on me and my works. I should like to express you again my profound gratitude”. Yours sincerely, Luigi.
Entre 1988 e 1990, fui chefe do Departamento do ECO-UnB, dando continuidade ao processo de internacionalização do programa de Pós-Graduação. Destaco o apoio dos professores Lauro Campos, Charles Muller, Dércio Munhoz, Marcos Formiga, Livio Cardoso, Jorge Madeira Nogueira, Steve de Castro, Mauro Boianovsky, Neantro Saavedra-Rivano e Lourdes Mollo e diversos outros. Ao término de meu mandato, recebi o convite do professor Meghnad Desai, Lord Desai, para passar o ano acadêmico de 1990-1991 na London School of Economics (LSE), como Visiting Scholar.
No ano seguinte obtive Fulbright Fellowship para desenvolver pesquisas de pós-doutoramento no Departamento de Economia da Universidade de Stanford (EUA). Também ministrei seminários no Centre for Latin America Studies da mesma instituição. Foi um período, de amizade com o Professor Donald Harris. Ele foi professor visitante
na UnB e ficou hospedado por algum tempo em minha residência. Contudo, não vim a conhecer, pessoalmente, sua filha Kamala Harris, que em 2024 competiu pela presidência dos Estados Unidos. No final de 1992 me elevaram para aposição de professor titular da Universidade de Brasília. Constituiu em melhor possibilidade de influenciar a comunidade acadêmica. Tenho sido responsável pela organização de eventos, assim como por maior contato institucional com a Capes, CNPq, Fullbright, etc.
Em 1995-96 me associei como pesquisador sênior ao Institut d´Études du Développment (IEDES) na Universidade de Paris 1 onde fui co-coordenador de seminários, em colaboração com o Dr. Jean-Marc Fontaine. Ao longo do período cooperei na orientação de trabalhos de mestrado e doutorado de alunos da Panthéon-Sorbonne. Foi época especial de articulações com ilustres acadêmicos como J. Laffargue, H. Bortis, E. Hein, M. Landesmann, P. Petit, H. Kurz, N. Salvadori, T.Palley, J. Mazien, G. Dosi, P. Skott, D. Harris, J. Hall, P. Arestis, G. Porcile, P. Salama, A. Harvey, H. Marangoni, R. Bielschowsky, T. Piketty, A. Bhaduri, G. Dymiski, A. Bianchi, S. Holland, S. Schor, A. Dutt, M. Lavoie e outros. A maioria participou de atividades na UnB.
Em abril de 1997 presidi o comitê organizador do International Colloquium, realizado em Brasília, como parte do processo de criação do programa de doutoramento em economia da UnB. O evento contou com a participação de scholars de projeção internacional. Liderei o corpo editorial dos proceedings. Essa batalha devia se constituir em modelo pioneiro para a realização continuada de eventos científicos. Destacaram-se os realizados na Itália, França, Líbia, Irlanda e Áustria. Entre janeiro-março de 1998, fui professor titular visitante da Universidade de Lugano, Suiça, convidado pelo Professor M. Baranzini. Em 2000 fui pesquisador visitante sênior no Centre d´Études Prospectives d´Économie Mathematique Appliquées a La Planification (CEPREMAP-Paris), e residi na Maison du Brésil, em Paris. Tive a oportunidade de visitar diversos centros de ensino e pesquisa em outros países.
Nos Estados Unidos foram estabelecidas comunicações com personalidade em diversas áreas científicas. Entre elas, destacamos a com o irmão do “Great Mathematician” John von Neumann. O Nicolas von Neumann, estava interessado na minha visão sobre “how to promote his principal aim: to secure good initiatives, for a variety of administrative and other reasons, for a next Brazil/Brasilia visit”. O objetivo principal era estabelecer contatos do Centro Von Neumann com diversos núcleos de pesquisa. Ele esteve em Brasília com alguns colegas. Em sua mensagem (e-mail, Sunday, 10 jun 2001), agradeceu minha colaboração indicando que: “Our visit in your wonderful home with your wonderful family, was and remains my most cherished memory and adventure”. Infelizmente, faleceu pouco tempo depois.
Em maio de 2002, fui professor visitante titular no Departamento de Economia da Universidade de Verona, Itália. Em abril de 2007 me desloquei para o IEDES, Universidade de Paris 1, Panthéon-Sorbonne, como “senior researcher”, desenvolvendo pesquisas e ministrando seminários. Em dezembro de 2007, em Congresso Internacional na Maison de Brésil, em Paris, me agraciaram com a “Comenda Milton Santos” pela excelência em atividades acadêmicas.
Em 2010 organizamos o “VII International Colloquium”, realizado conjuntamente pelo Departamento de Economia da Universidade de Brasília e pelo Centre d’Économie de Paris Nord (CEPN) da Universidade de Paris 13. O evento ocorreu na Maison de Sciences de l’Homme, em Paris, e contou com expressiva participação de acadêmicos
internacionais. O tema era: “Getting Out of the Current Economic Crisis in the Light of Alternative Development Paradigms”. O volume contendo “selected essays” foi co-editado por mim e pelo Dr. Ricardo Azevedo Araujo.
Em julho-agosto de 2011, me dediquei a ser professor titular visitante no “Summer Program” de Portland State University, EUA, lecionando “Política Econômica Latino- Americana” e “Teorias do Crescimento Econômico”. Em outubro, obtive a mesma posição acadêmica na Universidade de Fribourg, Suiça, ministrando seminários sobre “Crescimento, Distribuição e Crise. Em maio de 2012 me elegeram presidente do “IX International Colloquium”, realizado no Schumpeter Centre em Graz, Áustria. No meeting recebi o título de “Honorary Member of the Organizing Committee” para organizar colóquios, incluindo aquele em Lisboa, Portugal, em maio de 2013. Também ministrei seminários em Coimbra.
Em dezembro de 2012 me aposentaram formalmente da Universidade de Brasília e outorgaram, em solenidade institucional, o título de Professor Emérito. A cerimônia ocorreu no auditório da reitoria, ao som de Schubert e Beethoven. Com palavras calorosas, as autoridades fizeram as saudações. Também informaram que eu era apenas o segundo membro do ECO-UnB a receber tal distinção, naquele mais de meio século de comemorações da fundação da UnB. Imediatamente, passei para o quadro de professores colaboradores voluntários e não remunerados (pro bono público). Continuo recebendo homenagens. Entre 2011 e 2015, me agraciaram com a Medalha Presidente JK e a Medalha G de Ouro, esta do Instituto Granbery. Em dezembro de 2012, me designaram consultor e referee do “Academic Group in Social Sciences” da Cambridge University Press (CUP), Inglaterra.
Em 2013, obtive o título de Membro Associado da “Association de la Cité Internationale de Paris”, França. Em seguida fui agraciado como membro da “Association des Amis de la Fondation Maison Maison des Sciences de l’ Homme (FMSH)”, Paris – França. Sou Fellow of the World Academy of Art & Science (WAAS), “whose members are chosen for eminence in the arts, the natural and social sciences, and are mandated by the Academy’s founders to explore the social consequences and policy implications of knowledge: Leadership in thought that leads to action”. Entre seus co-fundadores está o notável Professor Albert Einstein.
Continuei participando de eventos internacionais nas Américas, Europa e África. Tenho as melhores lembranças das circunstâncias históricas, e ocorrências que levaram a realização de colóquios na França, Itália, Espanha e África do Sul. Discutíamos temas delicados como operacionalizar a expansão do crescimento econômico, melhorar a distribuição de renda e a prosperidade dos pobres nos países menos desenvolvidos, sem prejudicar o mundo dos ricos. Questões sempre levantadas e distantes de serem resolvidas. Desde 2015 venho cooperando em atividades do programa de pós-doutoramento do ECO-UnB. Também tive acesso, novamente, à posição de Senior Visiting Researcher na Maison des Sciences Économiques, Panthéon-Sorbonne.
Em 2019 me contemplaram com o título de Senior Post-doctoral Researcher pela Univ. Castilla-La Mancha, na Espanha. Nessa instituição lecionei e ministrei seminários de Economia Política, Desenvolvimento Econômico, e Mudança Estrutural, assim como conectá-los à Matemática e Econometria. Também mantive contatos acadêmicos em Granada e Madrid. Busco ressaltar minha posição antagônica à “Síntese Neoclássica” e
ao liberalismo econômico exacerbado. É fundamental revelar contradições ideológicas, combater reconstruções sem sustentabilidade e evitar atividades políticas inconsequentes.
Nos últimos tempos minha atenção predominante decorre de abordagens pós-kaleckianas e pasinettianas. Tenho compartilhado publicações com diversos amigos e colegas; destacando os doutores Ricardo Araujo, Jorge Thompson Araujo e João Gabriel Oliveira, meus ex-orientados. São membros do Projeto de Pesquisa de “Crescimento e Distribuição de Renda” fundado em 1996. Estou com maiores oportunidades para fazer considerações críticas sobre meu desempenho acadêmico. As teorias e ações econômicas poucas vezes podem ser produtos de puro desprendimento e curiosidade intelectual. Perversas ideologias estão empolgando não apenas os veículos de comunicação, mundo acadêmico, parlamentares, círculos financeiros e governamentais, que se agarram ao poder. Como argumenta Cervantes, no Don Quixote: “There are but two families in the world, as my grandmother used to say, the haves and the have-nots”.
Penso que os projetos e participações ativas na vida social devem constituir uma busca intensa por compreender e superar proposições convencionais que, frequentemente, mais obscurecem do que iluminam o desenvolvimento econômico com dignidade. Mudanças de comportamento são necessárias, como perspectivas de curto e longo prazo, para superar os obstáculos existentes e potenciais. Segundo Berthold Brecht, na notável obra Life of Galileo: “One of the chief causes of poverty in science is usually imaginary wealth. The aim of science is not to open a door to infinite wisdom, but to set a limit to infinite error. Make your notes”.
Apesar de disputas inconfessáveis, venho sendo prestigiado por excelentes entidades e instituições. Fui homenageado, em 30 de agosto de 2023, com um seminário organizado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas. Membros da diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômica – Dimac, assim como público externo e muitos de meus ex-alunos, colegas e companheiros de jornada estiveram presentes no Auditório do IPEA Brasília. Os organizadores e palestrantes foram bastante generosos. Foi excelente revê-los!
Não me falta motivação para ministrar seminários e orientar alunos da pós-graduação do ECO-UnB. Meus acadêmicos têm produzido um número expressivo de dissertações e teses. Fico muito contente. Ao longo de minha carreira profissional editei mais de uma dúzia e meia de livros ou anais acadêmicos. Publiquei cerca de uma centena e meia de artigos, incluídos em revistas como Cambridge Journal of Economics, CEPAL Review, Metroeconômica, Structural Change and Economic Dynamics, Journal of Post Keynesian Economics, Brazilian Review of Econometrics, Review of Political Economy, Economic Letters, Kyklos, Estudos Econômicos, Eruditio (WAAS), EconomiA-Elsevier, Brasilian Keynesian Review, Cadmus/WAAS, Revista de Economia Conteporânia, Nova Economia, Applied Economic Letters, The Manchester School, Institutions and Economic Development, Panoeconomicus, etc.
Tenho o prazer em anunciar que, recentemente, a editora Edgar Elgar listou, em seu website, o livro “Income Distribution, Economic Growth and Unemployment”. É um texto em minha homenagem, a ser lançado em setembro de 2025. Discute questões críticas sobre o aumento da desigualdade e crescimento econômico com desemprego. São temas fundamentais, ensaios desenvolvidos por acadêmicos e scholars, no Brasil e no exterior. Eles enunciam, com capacidade analítica e sensibilidade: teorias, conceitos e evidências empíricas que têm sido utilizados para modelar as teorias e as realidades.
Algo que me mantém alarmado é o da permissividade na utilização das novas tecnologias da informação (TI) e inteligência artificial (IA).Elas são fundamentais, mas é indispensável melhorar o procedimento ético, distante de estar presente nesse mundo violento e socialmente desigual. Também não se esquecer do caos climático que vêm despedaçando o planeta com o agravamento do aquecimento global. São problemas essenciais e conflitantes, que requerem atitude correta e geopolíticas abrangentes. É indispensável despertar, especialmente os jovens, para a necessidade de estarem atentos aos paradigmas existentes e interagirem de forma saudável, tanto no mundo real quanto no universo virtual. Agir de forma responsável, levando em conta a repercussão coletiva de qualquer ato praticado por indivíduo, corporação, robô ou governante autoritário.
Lamento não ter participado, com intensidade maior, na discussão e implementação de melhores políticas econômicas. Tentei aproveitar minhas vantagens comparativas, mas não foram suficientes. O mais sintomático é que busquei preservar a integridade, ser uma pessoa honrada, sensível e solidária, tentando ampliar meus horizontes. Poderia ter feito algo melhor. Coisas da vida. Reconheço, como no poema de Shakespeare, que: “Glory is like a circle in water. Which never ceaseth to enlarge itself, /Till by the broad spreading, it disperses to nought”.
Como ser humano cometo enganos, mas busco não atropelar as pessoas com minhas ideias e ações. Prefiro abordar as dificuldades através de “friendly persuasion”, que às vezes é insuficiente. Sou servidor público e scholar. Considero um privilégio fazer parte da academia e da comunidade mundial. Tenho plano de continuar servindo, por algum tempo, não apenas nossa UnB, com honrosa distinção. Afinal, essa é uma pequena retribuição pelo muito que tenho recebido. Estou seguro de que mais aprendi do que ensinei ao longo dessa longa caminhada. Isto tem sido minha experiência. Penso que ela tem sido digna de ser vivida.
Seguindo o argumento de Bertrand Russell, no prólogo de sua autobiografia: “(…) vivê-la-ia de novo com a maior alegria se ela me fosse oferecida”. Como seria bom refazer as correções necessárias! Agradeço aos colegas e estudantes, assim como meus familiares, por terem me dado incentivos e permitido caminhar com relativo sucesso. Recebam todos meus carinhos e gratidão. Em especial, eu gostaria de agradecer ao dr. Rodolfo Marcilio Teixeira por todo apoio na elaboração desse manuscrito.
