O Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF) acompanhou, nesta quarta-feira (19/11), mais uma mesa de destaque do 13º Fórum de Economia da Universidade de Brasília (UnB). A sessão, realizada no Auditório Azul da FACE/UnB, abordou o tema “Desafios da Política Comercial e Industrial”, reunindo especialistas para analisar tendências globais, instrumentos de política pública e caminhos estratégicos para o Brasil em um cenário internacional cada vez mais competitivo e complexo.
🔗 Transmissão completa: https://www.youtube.com/watch?v=642EqFTpur0
🔗 Acesse a apresentação aqui: [Novas Diretrizes da Política Industrialo]
A mesa contou com a participação da economista Julia Braga (UFF), Subsecretária de Acompanhamento Macroeconômico e Políticas Comerciais, que apresentou uma ampla análise sobre as transformações recentes da política industrial no mundo e os desafios enfrentados pelo Brasil em um ambiente marcado pela rivalidade crescente entre China e Estados Unidos.
O retorno da política industrial em um mundo bipolar
Julia Braga destacou que, nos últimos anos, houve um ressurgimento global das políticas industriais — agora justificadas não apenas pelo aumento da produtividade, mas também por fatores como:
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Segurança energética e resiliência das cadeias de suprimento,
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Mitigação das mudanças climáticas,
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Competição geopolítica,
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Redução de desigualdades sociais.
De acordo com dados do New Industrial Policy Observatory (NIPO) e do FMI, o número de intervenções estatais cresceu de forma expressiva desde 2017, refletindo uma mudança de postura especialmente entre as grandes potências globais.
A palestrante citou ainda a recente Industrial Policy and Economic Security Conference (Harvard, 2025), que consolidou o debate sobre a relação entre política industrial, segurança nacional e competição tecnológica.
Instrumentos da política industrial: avanços e limites
Entre os principais instrumentos adotados globalmente, Julia Braga destacou:
Ferramentas utilizadas por diferentes países
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Subsídios, incentivos fiscais e deduções para setores estratégicos
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Barreiras tarifárias e não tarifárias às importações
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Crédito direcionado e garantias públicas
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Investimento estatal em infraestrutura, P&D e formação de clusters produtivos
Desafios e advertências
A economista ressaltou, entretanto, que o uso desses instrumentos exige atenção especial para evitar:
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Falhas de governo e escolha ineficiente de setores
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Captura por grupos de interesse
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Riscos fiscais e deslocamento de prioridades públicas
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Conflitos comerciais internacionais e violações a regras da OMC
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Complexidade quando múltiplos objetivos são perseguidos simultaneamente
Segundo ela, a capacidade institucional do Estado é determinante para o sucesso ou fracasso dessas políticas.
Tecnologias de uso dual: fronteira estratégica
Um dos pontos enfatizados foi o avanço das tecnologias de uso dual, civis e militares, que ampliam a disputa geopolítica global. Entre elas:
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Semicondutores avançados
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Inteligência artificial
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Drones
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Tecnologias espaciais
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Biotecnologia
Esses setores estão no centro das tensões entre China, Estados Unidos e União Europeia, influenciando políticas comerciais e industriais em várias regiões do mundo.
Europa e China: disputas sobre preços e tarifas
Julia Braga explicou que a União Europeia tem adotado medidas de “redução de riscos” (de-risking), mantendo relações comerciais com a China, mas intensificando ações regulatórias e investigativas. Entre elas:
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Tarifas de 17% a 35% sobre veículos elétricos chineses
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Medidas de controle de preços mínimos (price undertakings)
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Barreiras não tarifárias e monitoramento regulatório
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Restrições sobre aço e bens industriais estratégicos
Instrumentos de política comercial no Brasil e no Mercosul
A mesa ainda destacou como o Brasil utiliza seus instrumentos comerciais, entre eles:
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Reduções temporárias de tarifas em caso de desabastecimento
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Listas de exceção para Bens de Capital e Tecnologia (BK e BIT)
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Regime de Ex-Tarifários para importações sem produção nacional
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Alterações permanentes na TEC/NCM
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Regras específicas para o setor automotivo (ACE 14)
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Defesa comercial, que registrou 106 petições antidumping em 2024
A economista também mencionou a LETEC, que permite alterar até 100 códigos tarifários — ampliada em 50 itens adicionais após o recente “tarifaço”.
Desafios estratégicos para o Brasil
Entre os pontos levantados para reflexão, destacam-se:
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O Brasil parte de uma situação de PIB per capita baixo e alta desigualdade
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A política industrial deve ser abrangente e integrada a temas como energia acessível e inovação
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O país precisa evitar acordos comerciais que sacrifiquem a indústria em favor de commodities
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A segurança nacional e suas cadeias produtivas devem ganhar maior relevância
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O Estado deve atuar com planejamento, transparência e avaliação constante
Compromisso do Corecon-DF com o debate econômico
Ao acompanhar e divulgar iniciativas como esta, o Corecon-DF reforça sua missão institucional de promover o debate qualificado e disseminar conhecimento econômico, contribuindo para que estudantes, profissionais e a sociedade compreendam os desafios e as oportunidades que moldam o desenvolvimento do país.

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