Dando sequência ao apoio institucional às discussões estratégicas para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do país, o Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF) participou, nesta terça-feira (18/11), da mesa temática “Transição Energética e COP 30: desafios e oportunidades”, realizada no Auditório Azul da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Informação e Documentação (FACE/UnB).
O encontro integrou a programação do 13º Fórum de Economia da Universidade de Brasília (UnB) e reuniu economistas, estudantes, pesquisadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil interessados no futuro climático do Brasil e nas políticas necessárias para impulsionar a transição para uma economia de baixo carbono.
A sessão foi mediada pelo professor Marcelo Torres (UnB) e contou com apresentações de Jorge Nogueira (docente da UnB, PhD pela University of London) e Rafael Dubeux (Secretário-Executivo Adjunto do Ministério da Fazenda e doutor em Relações Internacionais pela UnB).
Assista à transmissão completa: https://www.youtube.com/watch?v=cNSD0soC4C8
Slides apresentados:
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Slides de Jorge Nogueira: (01. 2025_Forum de Economia Jorge Nogueira)
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Slides de Rafael Dubeux: (Apresentação UnB – Transformação Ecológica – Rafael Dubeux)
A exposição de Jorge Nogueira: motivações, desafios e barreiras da transição energética
Ao iniciar sua apresentação, o professor Jorge Nogueira destacou que, embora a transição energética não seja o foco central de suas pesquisas, o tema tem ganhado espaço em seu trabalho a partir de estudos conduzidos por orientandos e colegas da UnB.
Nogueira explicou que a transição energética representa a substituição progressiva dos combustíveis fósseis — responsáveis por mais de 75% das emissões globais de gases de efeito estufa — por fontes limpas e renováveis, como solar, eólica, hidrelétrica e biomassa. Esse processo busca reduzir emissões, promover segurança energética e mitigar impactos sociais, econômicos e ambientais das mudanças climáticas.
Ele relembrou que as metas do Acordo de Paris e das COPs, como limitar o aquecimento global a 1,5°C, exigem a triplicação da capacidade instalada de energia renovável até 2030.
Em seguida, apresentou três grandes conjuntos de barreiras que limitam o avanço da transição energética:
1. Barreiras financeiras e de investimento
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Atingir o net zero até 2050 exige entre US$ 4 e 6 trilhões anuais, muito além dos volumes de investimento atuais.
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Países emergentes enfrentam custos de financiamento até sete vezes maiores que os de economias avançadas.
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Após anos de expansão, o investimento global em energia limpa desacelerou, crescendo apenas 11% em 2024.
2. Desafios tecnológicos e de infraestrutura
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Redes elétricas tradicionais não foram projetadas para integrar grandes volumes de energia renovável variável.
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Tecnologias de armazenamento ainda enfrentam limites de custo, durabilidade e capacidade.
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Setores como aço, cimento e aviação carecem de soluções maduras de descarbonização.
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Projetos de hidrogênio verde e combustíveis sustentáveis ainda sofrem com altos custos e escassez de recursos.
3. Dimensões econômicas e sociais
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Regiões dependentes de combustíveis fósseis podem enfrentar dificuldades econômicas e desemprego, exigindo políticas de transição justa.
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730 milhões de pessoas ainda não têm acesso à eletricidade, e quase 2 bilhões dependem de métodos poluentes de cozimento.
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Conflitos pelo uso da terra e impactos em comunidades rurais ampliam a necessidade de políticas inclusivas e socialmente equilibradas.
A apresentação de Rafael Dubeux: a agenda econômica e a Transformação Ecológica rumo à COP 30
Em sua exposição, Rafael Dubeux apresentou a estratégia do governo federal para a agenda econômica da transformação ecológica, eixo central das propostas que o Brasil levará à COP 30, em 2025.
A estratégia está estruturada em três grandes frentes:
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Estabilidade macroeconômica
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Melhoria do ambiente de negócios
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Plano de Transformação Ecológica (PTE)
Dubeux destacou indicadores sociais e econômicos que atingiram seus melhores níveis da série histórica — como desemprego, inflação média, desigualdade e geração de empregos formais — e ressaltou que tais avanços criam condições favoráveis para uma mudança estrutural capaz de “quebrar o molde” do desenvolvimento brasileiro.
Entre os objetivos centrais da Transformação Ecológica, destacou:
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Transição de uma economia baseada na exportação primária para um modelo fundado em inovação tecnológica.
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Superação do padrão de crescimento associado à degradação ambiental.
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Transformação da concentração de renda em prosperidade compartilhada.
O secretário também apresentou estudos em elaboração pelo Ministério da Fazenda em parceria com o Banco Mundial, PNUMA, UFRJ e Aya-Systemiq, que avaliam os impactos econômicos, sociais e ambientais do PTE. Segundo ele, a Transformação Ecológica é um compromisso dos Três Poderes com a construção de um “Novo Brasil”.
Compromisso do Corecon-DF com o debate público qualificado
Ao apoiar iniciativas como o 13º Fórum de Economia da UnB, o Corecon-DF reafirma seu compromisso com a disseminação do conhecimento econômico e com a promoção de debates de alto nível sobre desenvolvimento sustentável, inovação, política energética e o futuro climático do Brasil.
